Martírio
no Rio Grande do Sul - Os irmãos Muckers
Ir.
B
Dentre os anos de 1873 e 1874 temos um fato relevante, mas pouco conhecido por nós brasileiros e discípulos de nosso Senhor Jesus Cristo.
O
termo mucker foi empregado com um sentido pejorativo, como o de diversos nomes
que foram dados durante a história, iniciando tal como em Atos 11:26 “E
sucedeu que, todo um ano, se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente;
e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.”.
Estes irmãos passaram a serem nomeados pelo que mais incomodava o mundo, foi um
termo usado para representar os irmãos como santarrões pouco confiáveis.
Jacobina
Mentz Maurer e João Jorge Maurer moravam na região do Morro Ferrabraz (hoje,
parte do município de Sapiranga) e lideravam essa pequena comunidade Cristã, que
surgiu após a saída do avô de Jacobina, Libório Mentz, da Alemanhã.
Seu
avô coordenou um grupo descontente com a igreja alemã que impunha princípios e
fundamentos não bíblicos, sendo fortemente protestado pelo grupo do qual seu
avô fazia parte, o que os levou a emigraram para o Brasil onde construíram uma
igreja em Novo Hamburgo.
Seu esposo João Jorge atendia doentes em sua
casa, preparava remédios com ervas que eram vendidos aos clientes ou trocados
por mantimentos ou produtos agrícolas.
Jacobina
trabalhou consolando os doentes com leituras e interpretações de trechos da
Bíblia, o que passou a desagradar representantes religiosos.
Viviam
comunitariamente uma vida austera de modernidade e tinham a agricultura como
fonte de subsistência.
A maioria dos alemães no Brasil eram luteranos, lhes era
permitido apenas realizar seus cultos em casas e não era permitido construírem templos,
devido a o catolicismo ser a única religião oficial do império. Eles não podiam
concorrer a cargos públicos nem tinham seus casamentos considerados válidos.
A partir de 1873, o grupo de irmãos muckers se isolaram das
atividades do mundo e retiraram seus filhos da escola, deixaram as igrejas católica
e luterana, pararam de beber, fumar, jogar e participar das atividades sociais.
Com isso a crítica e a oposição começaram a se erguer, as denominações se levantaram
contra os irmãos e mobilizaram a sociedade e autoridades contra os irmãos. Com
falsas acusações, os irmãos foram tidos como criminosos, perseguidos e presos.
Sendo inocentes foram tratados como criminosos.
Qualquer acontecimento ruim gerava motivo para acusação e
culpa de nossos irmãos. Foram vítimas de agressões, perseguições, roubos e toda
sorte de atrocidades. Buscando as autoridades receberam as portas fechadas e
desamparo.
“Se o mundo vos aborrece, sabei que,
primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo
amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do
mundo, por isso é que o mundo vos aborrece.”
(João 15:18-19)
Em reação a isso os irmãos começaram a se mobilizar e
adquirir armamentos como forma de defesa, acusações graves começaram a serem
lançadas sobre os irmãos como assassinatos, desordem e como sendo inimigos de
estado. Inicia-se uma guerra onde os irmãos participam de forma mais ativa,
apesar de buscarem proceder de forma mais justa que seus oponentes, entram nos
conflitos armados.
O
conflito emerge a um ponto onde o exército com coronel Genuíno Sampaio e mais 98
homens atacam os irmãos no Morro Ferrabraz onde se refugiavam, os irmãos os
receberam com tiros, obrigando-os a fugir, retornando com mais de 500 homens. Mas
em um segundo ataque a casa dos Maurer foi incendiada e vários homens, mulheres
e crianças foram mortos, roubados e violados levando-os a fugir sendo mortos
pelas tropas alguns dias depois.
Dizimando e martirizando um grupo de quase 150 irmãos que
procuraram viver de acordo com o Evangelho e foram odiados pelo mundo, talvez
tenham cometido seus erros, mas nada que justificasse ou que explicasse tamanho
ódio, senão que estes foram considerados dignos de padecer pelo Nome do Senhor (Atos
5:41).
Os irmãos representaram em seu tempo uma chama de
avivamento no Brasil, buscando avidamente por viverem em comunidade e de acordo
com o Evangelho, um movimento pietista, protestante que buscou reavivar a chama
do amor pelo Evangelho de Cristo e pela Palavra de Deus, com uma vida simples e
juntando tesouros nos céus.
Tal como o Senhor alertou a Pedro “Guarde a espada!
Pois todos os que empunham a espada morrerão pela espada. Você acha que eu não
posso pedir ao meu Pai, e ele não poria imediatamente à minha disposição mais
de doze legiões de anjos? Como, então, se cumpririam as Escrituras que dizem
que as coisas deveriam acontecer desta forma?” (Mateus 26:52-54),
possamos nós ainda que com a própria sob risco de a própria vida e confiar no
Mestre e na Sua Palavra pois o céu está a nosso favor e a Palavra de Deus há de
se cumprir em nossas vidas.
Somente
a eternidade poderá revelar com exatidão os fatos narrados, mas que possamos
ser desafiados a viver um Evangelho puro e bíblico, não somente em algumas
formas exteriores de culto, mas como testemunhas vivas do Senhor Jesus.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_dos_Muckers
http://amigodonoivo.blogspot.com/2011/10/os-mucker-fanatismo-ou-reavivamento.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacobina_Mentz_Maurer
https://www.jornalrepercussao.com.br/politica/a-historia-dos-mucker-por-felipe-kuhn-braun
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