Êxodo 20 - O Nono Mandamento
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.” Êxodo 20:16
Vivemos em uma época em que a palavra perdeu peso e a mentira ganhou velocidade. A língua, antes instrumento de comunicação, tornou-se arma de destruição. O nono mandamento surge como um freio para um coração que, manchado pelo pecado, facilmente fabrica histórias, distorce fatos e mancha reputações. Não se trata apenas de evitar uma mentira declarada, mas de reconhecer que a injustiça verbal é um assassinato silencioso.
Quando Deus ordena “não dirás falso testemunho”, Ele nos convida a entender que toda sociedade depende da verdade para sobreviver. E quando ela é rompida, relações, famílias, comunidades e até nações entram em colapso.
O que é testemunho?
Testemunho é uma declaração diante de Deus e dos homens.
É apresentar fatos de forma justa, correta, íntegra e alinhada com a realidade. Na Bíblia, a figura da testemunha era essencial para validar qualquer causa, duas ou três testemunhas determinavam o rumo de um julgamento.
Assim, testemunho não é opinião; é responsabilidade.
Não é conversa; é compromisso com a verdade.
Não é desabafo; é temor diante do Deus que tudo vê.
O testemunho verdadeiro sustenta a justiça. Sem ele, o inocente sofre e o culpado prospera, e Deus abomina isso.
O falso testemunho
Os muitos ramos da injustiça que matam o próximo.
O falso testemunho é uma árvore com vários galhos:
* a fofoca que distorce.
* a meia-verdade que manipula.
* a insinuação que envenena.
* a calúnia que destrói.
* o silêncio que encobre o mal.
* a interpretação maldosa que inventa intenções.
* a mentira contada como brincadeira.
* o exagero que transforma alguém em vilão.
Cada uma dessas formas de falsidade não apenas prejudica o próximo, mas aprisiona o próprio mentiroso dentro de uma cadeia espiritual. Quem usa a língua para ferir passa a viver sob a mesma condenação que produz.
O falso testemunho destrói antes de ser desmentido, e quando a verdade vem, já é tarde demais para desfazer o dano.
A facilidade de falar mal dos outros.
Criticar virou hábito. Atacar virou passatempo.
Julgar virou esporte.
As pessoas sentem prazer em “ter algo a dizer”, como se fosse alimento diário. O coração humano se acostumou a vasculhar falhas para se sentir moralmente superior. Mas falar mal é sintoma de um coração vazio, inseguro, competitivo e sem contentamento.
A língua que se alimenta de difamar nunca conhece paz.
A mentira incrustada na alma humana.
A mentira não é apenas um deslize, é uma doença espiritual.
Ela se aloja na alma, cria justificativas, fabrica razões e se torna tão natural que muitos já nem percebem quando mentem. (mitomania)
Mentimos por medo, por vaidade, por insegurança, por desejo de controle, por orgulho ou por conveniência.
O diabo é chamado de “pai da mentira” porque a mentira não é apenas um ato, é uma filiação. Cada vez que escolhemos distorcer a verdade, nos alinhamos com a natureza dele.
Quando o nosso testemunho verdadeiro condena o próximo e o perigo do relativismo que abafa a verdade.
Vivemos um tempo em que até dentro das igrejas a verdade se tornou desconfortável. Muitos acreditam que “dizer a verdade” é sempre agressivo, sempre inconveniente, sempre divisivo. E, com medo das consequências, conflitos, rejeições, desagrados, escolhem mentir, suavizar, omitir, esconder, distorcer.
Mas o nono mandamento não proíbe dizer a verdade quando ela tem peso.
Ele proíbe o falso testemunho, não o verdadeiro.
E é aqui que muitos estão caindo em engano: confundindo amor com silêncio e confundindo paz com omissão.
A verdade que condena uma situação injusta não é pecado: é justiça.
A verdade que expõe o erro para interromper o mal não é crueldade: é luz.
A verdade que confronta a mentira não é arrogância: é fidelidade.
A pergunta que devemos fazer não é apenas “falarei ou não falarei?”, mas:
Para quem minha verdade serve?
* Serve para me vingar?
* Serve para expor alguém sem necessidade?
* Serve para mostrar que estou certo?
Se sim, Então é pecado.
Ou serve para preservar inocentes?
* Para deter injustiças?
* Para impedir destruição dentro da igreja?
* Para restaurar o que está corrompido?
Então é justiça. E aqui muitos se calam.
O perigo atual não é que as pessoas mentem descaradamente, embora isso também aconteça, mas sim que elas abafem a verdade em nome de uma falsa paz.
O nome disso na Bíblia é iniquidade: permitir que a mentira sobreviva por causa do medo.
Quando a verdade é abafada, o erro se fortalece.
Quando a verdade é omitida, o injusto permanece seguro.
Quando a verdade é relativizada, o evangelho se torna fraco.
Há momentos em que calar é se tornar cúmplice, mesmo sem intenção.
Há situações em que não testemunhar é quebrar este mandamento tanto quanto mentir.
Jesus nunca omitiu a verdade para evitar problemas, Ele a proclamou mesmo quando o resultado era incompreensão, perseguição, rejeição ou a cruz.
A verdade, em Cristo, nunca foi negociável.
Hoje, muitos escondem a verdade dizendo:
“Quero evitar confusão.”
Mas, na realidade, estão dizendo:
“Quero evitar consequências.”
O nono mandamento nos chama a ser fiéis à verdade de Deus, não às conveniências humanas.
Assim, a pergunta real para esse tópico é:
Quantas vezes, por medo da consequência, eu deixei a verdade morrer dentro de mim?
E o alerta de Deus é claro:
O falso testemunho mata, mas a omissão da verdade também.
Como lidar com o reconhecimento de nossas falhas nesse mandamento?
Quando reconhecemos que falhamos com a língua, o caminho é:
1. Confessar a Deus, pois Ele vê a raiz.
2. Consertar com quem ferimos, como ato de reparação.
3. Corrigir o erro publicamente, quando o pecado foi público.
4. Criar freios pessoais, para evitar repetir a prática.
Reconhecer a falha não nos diminui, nos transforma.
A disciplina diária
A língua não se converte sozinha; exige disciplina diária.
Disciplinar a língua é:
* pensar antes de falar.
* não comentar o que não edifica.
* recusar ser caixa de ressonância de fofocas.
* não repetir o que não foi confirmado.
* recusar-se a interpretar intenções alheias.
* frear emoções em momentos de ira
A disciplina da língua é parte da santificação.
Conclusão
Somos chamados a viver como testemunhas fiéis, não apenas no falar, mas no viver. O nono mandamento nos convida a encarnar a verdade, não apenas pronunciá-la.
A vida do cristão é o maior testemunho que ele deixa na terra.
Que nossas palavras e nossas ações caminhem juntas, revelando a integridade daquele que nos salvou.
Bom dia e paz
Joel, servo de Jesus
Igreja Missionária Betesda
Serra, ES, Brasil
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