Êxodo 20 - O Oitavo Mandamento - Ir. Joel

                                                                 Êxodo 20 - O Oitavo Mandamento

“Não furtarás” Êxodo 20:15

Quando minha filha tinha cinco anos, estávamos na praia. Ela encontrou uma pequena forminha de plástico, um brinquedo esquecido por alguém na areia. Brincou com ela durante todo o dia, como se fosse sua. Quando nos preparamos para ir embora, ela juntou seus brinquedos, mas deixou a forminha onde a havia encontrado.

Aquela forminha estava perdida; ninguém voltaria para pegá-la. Então eu disse:

— Pode levar, minha filha. Senão o mar vai levar.

Ela me olhou com a simplicidade da pureza infantil e respondeu:

— Não, pai. Ela não é minha.

Naquele instante, percebi um senso de caráter que não se ensina apenas com palavras — se cultiva com valores. Uma criança, com apenas cinco anos, discerniu uma verdade que muitos adultos perderam: o que não é meu, não me pertence. E eu senti orgulho, mas também um chamado: se uma criança entende isso com tanta clareza, por que nós, adultos, tantas vezes relativizamos?

Esse mandamento, tão curto e direto, permanece necessário porque, ao contrário do que pensamos, o coração humano continua tentando justificar pequenos furtos como se fossem invisíveis.

Por que Deus estabeleceu um mandamento como esse?

Porque desde o princípio o mundo conheceu o primeiro ladrão.

Satanás não roubou apenas glória, ele tentou roubar para si um lugar que nunca lhe pertenceu. Seu pecado foi uma mistura de cobiça, inveja e orgulho. Ele quis o que era de Deus, e essa postura inaugurou o espírito do furto.

Assim, o oitavo mandamento não é apenas social, é espiritual.

Não tem origem no armário trancado, mas no coração humano contaminado pela mesma sede de apropriação indevida que caiu sobre o inimigo. É diabólico.

O princípio por trás do roubo.

O roubo não começa com a mão, mas com o pensamento de que aquilo deveria ser meu.

Por trás de qualquer furto existe:

– ingratidão: não me basta o que tenho;

– cobiça: quero o que é de outro;

– desconfiança em Deus: Ele não supriu como eu queria;

– orgulho: eu mereço mais.

O furto é, no fundo, uma declaração velada contra Deus:

“O que Tu me deste não é suficiente.”

Roubos justificáveis 

Os pequenos atalhos que muitos chamam de “normal”

Nossa geração desenvolveu uma nova categoria moral: o roubo justificável.

São furtos socialmente aceitos, mascarados pela frase: “todo mundo faz”.

Exemplos comuns:

– dividir senha de serviços pagos;

– desbloquear aparelhos ilegalmente;

– puxar energia ou água de forma irregular; os gatos.

– utilizar softwares ou plataformas piratas;

– assistir TV por assinatura sem pagar;

– baixar material pago de forma clandestina e compartilhar.

Nada disso é neutro.

Não importa o tamanho, um roubo é sempre uma distorção de caráter.

"Quem rouba é LADRÃO!"

A receptação, quando o pecado troca de mãos.

A Bíblia não trata apenas do ato de subtrair, mas também de participar do ganho indevido.

Usar produtos falsificados, como roupas e calçados, comprar celulares sem saber a procedência, adquirir objetos “baratos demais para ser verdade” é, na prática, ser cúmplice de uma cadeia de roubo. Isso não é benção, é roubo!

Quando alguém se beneficia da injustiça, ele se torna parte dela.

O cristão precisa vigiar até mesmo sua forma de consumir.

Atenção com a cleptomania

Embora rara, a cleptomania é um transtorno real e sério, diferente do furto por maldade ou oportunismo.

É um impulso descontrolado de pegar coisas sem valor, uma compulsão que exige acompanhamento, cuidado e acolhimento.

Não é desculpa para o pecado, mas é uma condição que pede discernimento e, muitas vezes, tratamento profissional.

A igreja precisa responder a isso com graça e verdade.

Agiotagem 

A personificação do diabo

A agiotagem é uma das expressões mais cruéis do roubo. Não se trata apenas de cobrar juros, é sugar a vida do próximo.

O agiota se torna senhor da dor alheia; ele se alimenta da miséria de quem está vulnerável. Sua ajuda é uma armadilha, e seu lucro é a ruína do outro.

Deus condena quem lucra com o desespero, porque quem explora o fraco se torna semelhante ao diabo: promete saída, mas aprisiona; promete alívio, mas destrói.

É o roubo travestido de empréstimo.

"Pior quando esse indivíduo se diz cristão."

Corrupção e propina

Uma cadeia de destruição.

A corrupção é um dos furtos mais devastadores, porque não rouba apenas dinheiro, rouba futuro.

Ela corrói hospitais, escolas, segurança, justiça e dignidade. Quem dá ou recebe propina participa de uma engrenagem que destrói silenciosamente os fracos, empobrece cidades, fere nações.

A corrupção não começa no alto escalão; começa no coração que diz:

“Se eu posso levar vantagem, por que não?”

Mas o cristão é chamado para outra lógica: integridade quando ninguém vê, honestidade quando custa é verdade quando não é conveniente.

Bens e riquezas amaldiçoadas

Há riquezas que carregam peso espiritual.

Bens adquiridos por corrupção, mentira, exploração, furto, propina ou falsidade parecem vantagem no início, mas se tornam tormentosos depois.

A Bíblia chama isso de “ganhos injustos”, e declara que tais riquezas se desfazem, adoecem, geram inquietação e trazem confusão para o lar.

Deus não abençoa o que não aprova.

E o que começa na injustiça termina em ruína.

É melhor pouco com paz do que muito com tormento.

Roubei, e agora, o que fazer?

Arrependimento verdadeiro sempre envolve verdade e restauração.

1. Reconheça o pecado diante de Deus.

2. Devolva o que puder devolver.

3. Restaure o dano causado, mesmo com humilhação.

4. Reconstrua a confiança perdida.

5. Recomece com vigilância.

A graça salva, mas não anula a responsabilidade.

Integridade exige reparação.

Pratique o oposto — não tire, dê

O evangelho não é apenas a proibição do mal, é a promoção do bem.

Onde o mundo diz “tire”, Deus diz: dê.

Generosidade cura o impulso de tomar.

Dar forma a um coração que enxerga o outro, e não apenas a si mesmo.

E nós, estamos roubando a Deus?

Quando pensamos em roubo, imaginamos imediatamente objetos, valores ou bens materiais.

Mas Deus faz uma pergunta ainda mais profunda:

“Roubará o homem a Deus?” (Malaquias 3:8)

Roubamos a Deus quando retemos:

– o que é d’Ele;

– o que Lhe pertence por honra;

– o que deveria expressar gratidão;

– o que testemunha nossa fé.

Roubamos quando negamos tempo, consagração, fidelidade, devoção, integridade e dependência.

Roubamos quando vivemos como se Ele não fosse Senhor, mas apenas assistente.

Roubamos quando usamos nossos dons para tudo, menos para a glória d’Ele.

O maior roubo não está no bolso, está no coração que retém o que deveria oferecer a Deus com alegria.

No céu não entra ladrão.

Conclusão: O que Deus espera de você?

O oitavo mandamento não é uma limitação, é um chamado para viver com caráter, integridade e maturidade. Deus espera que você saiba discernir o que lhe pertence e o que pertence ao outro.

Ele chama para um coração livre de cobiça, limpo de atalhos, e amadurecido pela honestidade.

Porque onde há justiça, há paz; onde há integridade, há vida; e onde há generosidade, Deus é visto.


Bom dia e paz

Joel, servo de Jesus

Igreja Missionária Betesda

Serra, ES, Brasil


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